Por Editorial Hunter House · 29 de setembro de 2026
A origem dessa escolha é um episódio de bairro. Nos anos 1980, o terreno vazio do Jardim Europa estava destinado a um centro comercial. Os moradores se organizaram contra o projeto e defenderam, no lugar dele, um equipamento cultural. A proposta vingou, e a área acabou reservada a um museu dedicado à escultura.
O projeto saiu de um concurso fechado, vencido por Paulo Mendes da Rocha. A obra começou em 1988 e o museu foi inaugurado em 1995, depois de quase uma década de obra. Onze anos mais tarde, em 2006, o arquiteto receberia o Prêmio Pritzker, e o MuBE passaria a ser citado como uma das obras centrais de sua carreira.
A ideia do projeto cabe numa frase: fazer o edifício quase desaparecer. Em vez de erguer um volume sobre o lote, Mendes da Rocha rebaixou as salas de exposição e o auditório e devolveu a superfície à cidade como praça aberta. A crítica de arquitetura costuma resumir o gesto dizendo que o prédio nasceu do desejo de não haver prédio algum. Num trecho de São Paulo onde o verde é quase todo murado, sobrou um chão público.
O único elemento que se levanta é a grande laje de concreto protendido, com 60 metros de vão livre, perpendicular à avenida. Ela não fecha nada: faz sombra, marca a entrada e enquadra a rua, e acabou virando a assinatura do museu na paisagem do bairro. Todo o conjunto é em concreto aparente, sem reboco nem pintura, com a franqueza de material que caracteriza a chamada escola paulista.
O jardim tem projeto de Roberto Burle Marx, executado apenas em parte, com canteiros de plantas tropicais que conversam com as árvores das ruas em volta. Sob a laje e sobre o gramado, as esculturas ficam ao ar livre, e a visita começa antes de qualquer porta. Lá embaixo, as salas recebem exposições temporárias.
Em março de 2018, o Conpresp, órgão municipal de preservação do patrimônio, aprovou o tombamento do MuBE junto com outras cinco obras de Paulo Mendes da Rocha na cidade. Entre elas está o ginásio do Club Athletico Paulistano, desenhado com João De Gennaro, a poucas quadras dali, no Jardim América. O órgão justificou a decisão pela contribuição desse conjunto à história da arquitetura moderna brasileira.
Para quem mora no Jardim Europa, no Jardim América ou nos Jardins, o MuBE é antes de tudo vizinhança: uma praça sombreada na Avenida Europa, uma exposição para ver num sábado sem planejamento, uma aula de arquitetura a céu aberto a poucos minutos de casa. Viver nessa parte de São Paulo significa ter por perto não apenas ruas arborizadas, mas obras que mudaram a forma como a cidade pensa o espaço público.
Fontes
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Brasileiro_da_Escultura_e_Ecologia
- https://www.archdaily.com/444881/museu-brasileiro-de-escultura-mube-paulo-mendes-da-rocha
- https://www.archdaily.com/pt/912325/prefeitura-de-sao-paulo-tomba-seis-obras-de-paulo-mendes-da-rocha-e-outros-32-imoveis
- https://www.tribunapr.com.br/noticias/brasil/prefeitura-de-sp-tomba-38-imoveis-entre-eles-paulistano-mube-e-pasteur/amp/
- https://www.e-architect.com/brazil/mube-sao-paulo-brazilian-sculpture-museum
- https://www.archilovers.com/projects/200022/mube-museu-brasileiro-de-escultura.html
- https://www.anualdesign.com.br/brasil/projetos/1238/mube-museu-brasileiro-da-escultura/
- https://en.wikipedia.org/wiki/Paulo_Mendes_da_Rocha
Fotos · Capa: Imagem ilustrativa gerada por IA, Editorial Hunter House






